Há pouco mais de 14 meses eu fazia o primeiro post nesse blog. Acabei não dando a devida atenção ao espaço e ele ficou parado por um bom tempo até que Adriana que foi co-idealizadora do blog resolveu reativá-lo e participar ativamente dele (o que não fez no começo).
Desde então, ela vem me enchendo o saco pra voltar a postar.
Há semanas ela vem me pedindo que poste algo, para variar dos assuntos que ela mais gosta. Eu até tive algumas idéias, mas nenhuma que me empolgasse a parar para escrever.
Eis que num fim de noite de domingo, me pego revendo o último episódio de Lost. Lost que, aliás, foi o tema do post inaugural desse blog.
Nada mais apropriado para o meu retorno, que voltar pelo começo. Então aqui vamos nós.
VÍDEO COM SPOILERS
Foram 6 temporadas. Seis anos acompanhando a série que foi um fenômeno mundial. Um marco da cultura pop.
(abaixo spoilers para quem não assistiu à última temporada)
A sexta temporada trazia muitas expectativas. Queríamos respostas. Só que ela começou com mais perguntas. Uma “realidade paralela” que mais tarde descobriríamos ser o pós vida.
A temporada funciona bem como uma estória isolada, qualquer um que assistisse apenas à 6ª temporada de LOST provavelmente sairia relativamente satisfeito com o conteúdo do que viu.
Como complemento das temporadas anteriores, podemos dizer que essa última foi apenas razoável. Alguns mistérios ficaram sem respostas e quem esperava explicações “científicas” teve que se contentar com misticismo.
Isso não me surpreendeu. Já tinha acompanhado outro trabalho do produtor de lost J. J. Abrams que seguiu caminho parecido (ALIAS).
No começo da temporada a “realidade paralela” parecia apenas um recurso covarde para oferecer aos espectadores uma alternativa feliz para os protagonistas: um mundo onde não houve acidente e todos teriam uma chance de levar suas vidas normalmente.
Eu tinha ficado muito irritado com essa história de “realidade paralela”, primeiro porque achava uma alternativa covarde e segundo porque ela tomava muito tempo da série - que teria apenas 16 episódios para desvendar mistérios e dar desfecho à história da realidade da ilha.
A temporada foi passando e as histórias das duas realidades se desenrolaram de forma que a “realidade paralela” ficou tão interessante quanto a original, pois tornou-se evidente que haveria uma ligação entre elas.
O último episódio veio cercado de expectativas e prometia ser impactante. Duas realidades completamente distintas teriam que se chocar. Na ilha, Jack tornou-se o “guardião” e teria que enfrentar o monstro para salvar aquele lugar, ao mesmo tempo em que os outros losties sobreviventes iriam tentar escapar daquele lugar no avião Ajira.
Enquanto isso, na “realidade paralela”, diversos personagens foram lembrando da existência da outra realidade e pareceram se juntar para fazer com que os outros também pudessem lembrar.
O último episódio de LOST foi uma grande surpresa para mim. Isso porque os produtores sempre fizeram questão de deixar claro que os personagens não haviam morrido no acidente aéreo. A ilha não era um purgatório.
Só que a realidade paralela era.
Aquele era o local para onde os losties tinham ido depois de morrer.
O desfecho da história da ilha foi satisfatório. Jack foi o herói que estava destinado a ser desde o primeiro episódio.
Devo admitir que logo depois de ter assistido o final da série pela primeira vez (já vi inúmeras vezes depois) eu não fiquei muito satisfeito.
Contudo, depois de um tempo, analisando e lembrando tudo que vi e vivi com Lost, percebi que o final não poderia ser melhor. O final foi, na verdade, uma homenagem ao seriado e aos fãs.
Depois de praticamente ter toda a história da ilha resolvida, com Jack se sacrificando, Hurley virando o novo protetor e Sawyer e Cia conseguindo decolar pra longe, tivemos os últimos 10min de LOST. E que 10 minutos.
Jack (da realidade paralela) entra numa igreja onde iria encontrar o caixão de seu pai. Contudo, ao abri-lo não vê o corpo.
Acho que a surpresa de Jack ao escutar o “hey kiddo” é tão grande quanto a nossa.
De pé, encarando-o, está seu pai. Mais uma vez nos é exposta a faceta racional do doutor, que diz não entender o que está acontecendo, pois seu pai estava morto. Quando o seu velho lhe confirma essa informação, a verdade o arrebata assim como a nós: Jack morreu.
“Todos morrem um dia” é o que Cristian diz para o filho. Aquele lugar foi criado pelos losties para que eles pudessem se encontrar e lembrar de tudo o que viveram. Tinham que lembrar, para poder deixar para trás “remember and let go”.
Uma bela mensagem de elevação espiritual. Nessa parte do “lembrar” os fãs que acompanharam a série desde o começo puderam ver cenas emocionantes de todos os personagens ao longo desses 6 anos de história.
Foi uma forma de dizer “olhem tudo que aconteceu, tudo que vocês viveram com esses personagens. Foi emocionante, não?”. Acho que foi uma forma dos produtores nos falarem “pode ser que as respostas não tenham lhe satisfeito completamente, mas a jornada não valeu a pena?”.
Realmente valeu. A metáfora foi perfeita. O final: Jack deitado no mesmo lugar onde havia acordado na ilha, no primeiro episódio da primeira temporada. Mas, agora, sangrando. Ferido de morte e sabendo do seu destino. Porém, ele estava realizado, sabia que tinha cumprido sua missão. Para emocionar ainda mais os espectadores, os roteiristas não deixaram Jack morrer sozinho, abandonado. Chega para lhe fazer companhia o primeiro ser que o viu na ilha (no mesmo primeiro episódio da primeira temporada): o cachorro Vicent. A cena é bonita, o cão, símbolo de amigo fiel, chega e se acomoda junto ao doutor, que pouco antes de morrer ainda tem o prazer de ver que o avião de seus amigos decolou e deixou a ilha. A satisfação de Jack é nítida. Segundos depois disso, numa simbologia de fim de ciclo, a série termina como resposta do começo: iniciou com o abrir dos olhos de Jack na floresta, e se encerra no mesmo lugar, com o último fechar de olhos do doutor.
Tudo isso sendo mostrado em contraste com as cenas dos espíritos dos Losties partindo para a próxima vida, próximo estágio espiritual ou o que qualquer interpretação religiosa possa permitir entender.
Aquela é também a metáfora do que devemos fazer.
Lembrar do que vivemos com essa maravilhosa série.
E partir para a próxima.
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Ê saudade...
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